Sonho em ser competidor quase vira caso de polícia

By: Jorge Cardoso / PBR Brazil  sexta-feira, 24 de abril de 2020 @ 15:21

Foto por Alberto Gonzaga / PBR Brazil

Pablo Assunção sempre foi um apaixonado pela vida no campo. Mesmo morando com sua família na cidade de Comendador Gomes, no interior de Minas Gerais, volte e meia ele corria com seu tio para a fazenda onde literalmente se sentia em casa.

E nessas idas à fazenda que um dia, apenas para brincadeira, aprendeu com seu tio a montar em touros. A partir daquele momento, surgiu um sonho em sua vida, o de se tornar um competidor profissional.

“Eu comecei a querer ir todo dia para a fazenda ajudar meu tio, mas a verdade era que eu queria aprender mais e mais a montar nos garrotes”, comenta.

Mas era apenas nos animais mais novos que o tio permitia. Nos mais velhos e perigosos, Assunção recebia a ordem de que não era permito. Afinal, para o tio tudo aquilo era uma brincadeira.

Assunção começou a fugir da escola e ir para as fazendas com os amigos para montar em bezerros, às escondidas, inclusive do tio. “Ninguém na família podia saber que eu estava fazendo aquilo. Minha mãe queria que eu estudasse e tivesse outro tipo de profissão”, acrescenta.

Por volta dos 14 anos de idade, junto ao amigo Pedro Mão, que conheceu nessas fugidas para as fazendas, foi a um rodeio mirim. Era a chance que ele precisava. “Foi a primeira vez que montei em um rodeio na vida. Eu caí, não entrei na final, mas para mim já estava valendo muito e tive a certeza de que ia deixar tudo para trás”, diz.

Mas a mãe de Assunção não achou que essa seria uma boa ideia e afirmou que se ele resolvesse abandonar tudo para ir atrás de algo perigoso ela iria chamar a polícia.

“Ela tinha muito medo de eu me machucar, e que iria colocar a polícia para ir atrás de mim aonde eu estivesse. Eu dizia para ela que só Deus iria me impedir”, ri ao contar essa passagem.

A única pessoa que apoiava suas decisões era seu avô. Um dia, aos 15 anos de idade e morando com seu avô, acordou cedo, fez as malas e disse que iria embora. “Meu avô me olhou e perguntou se era aquilo mesmo que eu queria, e que se fosse, as portas estariam abertas para sempre se eu quisesse voltar”.

Até os 17 anos de idade apenas treinou montar em touros enquanto trabalhava em uma fazenda em Campina Verde, sede da Cia de Rodeio 2 Irmãos.

Seu primeiro rodeio ocorreu em Minas Gerais e já conseguiu o título. Outros vieram com resultados excelentes e então ele colocou outra meta em sua vida. “Eu tinha que entrar na PBR Brasil, só pensava nisso. Quando eu soube de uma Divisão de Acesso em Pirajuba eu fiquei doido, liguei para todo mundo para me ajudar e consegui entrar na última hora. Fui bem e fiquei esperando outra oportunidade”, explica.

E a oportunidade veio em 2018 durante o Iron Cowboy. “Eu já tinha o convite de um evento, mas quando recebi uma ligação do escritório da PBR eu cancelei tudo que eu tinha marcado e fui para Americana. Depois do primeiro dia de disputas, eu nem conseguia dormir de tão feliz que estava por participar da PBR Brasil”.

E quanto à sua mãe, hoje ela apoia Assunção em sua carreira como atleta profissional. “Ela outro dia até me perguntou se eu ia logo para os Estados Unidos. Mesmo ainda tendo medo, natural de toda mãe, ela me apoia muito hoje”, finaliza.