Sonhos do Draft: Os melhores do Brasil batalham no Combine PBR Teams 2026 — A Professional Bull Riders

Sonhos do Draft: Os melhores do Brasil batalham no Combine PBR Teams 2026

By: Harper Lawson  segunda-feira, 2 de março de 2026 @ 16:15

Alberto Gonzaga

BRASIL — A 9.770 quilômetros da T-Mobile Arena — onde um campeão será coroado no Campeonato da PBR Teams 2026 neste outono — os competidores já estavam se preparando.
Porque antes que os confetes caiam em Las Vegas, antes que uma equipe erga o buckle de campeã, haverá o Draft da PBR Teams 2026.
E para 49 cowboys brasileiros reunidos dentro de uma arena sob o sol do interior do estado de São Paulo, o draft não é apenas uma data no calendário.
É o motivo pelo qual eles apareceram.
É o motivo pelo qual deixaram suas casas.
É o motivo pelo qual montaram em mais um touro quando seus corpos já estavam doloridos.
O PBR Teams Combine 2026 no Brasil começou muito antes do primeiro portão de brete se abrir.
Começou com viagens de ônibus que duraram dias.
Com trajetos de cinco ou seis dias dirigindo pelo interior do país.
Com motocicletas cortando estradas de terra vermelha antes do nascer do sol.
Alguns dos competidores vieram de regiões de pecuária.
Outros, de pequenas cidades onde o hospital nem sequer possui aparelho de raio-X.
Outros ainda de lugares onde oportunidade é mais um rumor do que uma promessa.
Todos vieram em busca da mesma coisa: ouvir seu nome ser chamado na noite do draft.
Quando as primeiras notas de Aaron Watson, George Strait e Shania Twain ecoaram pelos alto-falantes, por um momento era possível quase esquecer que aquilo estava acontecendo no Brasil.
A arena estava perfeitamente preparada.
A terra nivelada e compactada do jeito certo.
A equipe de salva-vidas da PBR Brazil posicionada e alerta dentro da arena.
Técnicos e general managers de toda a liga se alinhavam junto às cercas, avaliando cada movimento.
Por um instante, parecia que você estava de volta aos Estados Unidos — especialmente para aqueles que já deram esse salto.
Até que o portão se abriu.
O primeiro touro explodiu na arena — um enorme animal do tipo Brahman, com uma grande corcova sobre os ombros e chifres que se curvavam para o alto como lâminas crescentes.
Esses touros eram diferentes.
Fortes no chão.
Olhar firme.
Altos dentro dos bretes, com a corcova quase tocando o trilho superior.
Suas pernas longas pareciam molas prontas para disparar.
Quando o portão se abria, eles saltavam com um primeiro pulo amplo e potente, cobrindo muito espaço e obrigando o competidor a estar totalmente pronto desde o primeiro movimento.
E ainda assim, depois de derrubar um competidor, eles simplesmente viravam e trotavam de volta para os bretes.
Raramente perseguiam alguém.
Raramente buscavam vingança.
Apenas faziam seu trabalho — com eficiência atlética.
Aquilo não era apenas mais um rodeio brasileiro.
Era uma audição para o grande palco.
Com 32 novos atletas elegíveis para o Draft de 2026 e 19 agentes livres irrestritos que poderiam ser contratados imediatamente, as vagas não eram algo abstrato.
Elas estavam literalmente ali, nos bretes.
Todo competidor presente entendia o que o draft representa.
Significa uma passagem de avião.
Um visto.
Um vestiário.
Uma equipe.
Uma oportunidade de competir sob as luzes das arenas que eles só viram pela televisão.
Para muitos deles, a montaria em touros não é apenas esporte.
É uma saída.
Uma saída da pobreza.
Uma saída das dificuldades da vida.
Uma saída para conhecer o mundo.
Uma saída para construir algo melhor para suas famílias.
Entre os 49 aspirantes, havia dois exemplos vivos do que acontece quando seu nome é chamado.
Rogério Silva Venâncio, hoje integrante do Nashville Stampede, se inclinava sobre os bretes oferecendo conselhos discretos.
O mesmo fazia Gustavo Luiz da Silva, também competidor do Stampede.
“Roger” e “Gus” construíram carreiras de sucesso na PBR Brazil antes de conquistarem sua oportunidade nos Estados Unidos.
Ambos sabem exatamente como é aquele momento do draft — a ligação que muda tudo.
Mas Venâncio não estava apenas observando.
Ele mesmo continuava subindo nos bretes sempre que tinha oportunidade.
Porque montadores de touros não sabem simplesmente “assistir”.
Eles podem dizer que estão ali apenas ajudando ou aconselhando, mas mais cedo ou mais tarde aquela vontade aparece.
E o único remédio é baixar a cabeça e pedir o touro.
De novo.
E de novo.
Ao longo de três dias e mais de 300 touros montados, Venâncio foi um dos competidores que continuou montando repetidamente, tratando o combine quase como seu próprio treino particular.
Mas também como um exemplo.
Se os mais jovens estavam observando, ele queria que vissem de perto:
Nos Estados Unidos, o treinamento, os companheiros de equipe e até mesmo o nível dos touros enfrentados elevam o nível do atleta.
Não apenas o tornam melhor.
Podem torná-lo extraordinário.
Enquanto essa lição acontecia dentro da arena, técnicos continuavam anotando observações.
General managers conversavam discretamente entre si.
O draft board — invisível, mas muito real — já começava a tomar forma.
E então havia um jovem de 23 anos, vestindo chaparreiras verdes e colete da mesma cor, com aparência ainda juvenil, mas postura de quem sabia que pertencia ali.
Quando ele subiu nos bretes, a liderança da equipe de Nova York imediatamente prestou atenção.
Leonardo Zampollo.
Seu sobrenome carrega peso.
Seu irmão mais velho, Leandro Zampollo, atualmente compete pelo New York Mavericks e ocupa a 11ª posição no ranking da Unleash The Beast 2026.
Mas essa não é toda a história.
Antes das luzes, das viagens internacionais e das arenas americanas…
Leandro ajudou a criar seus dois irmãos mais novos no Brasil.
A vida não foi fácil.
Dias longos.
Poucos recursos.
Sonhos enormes.
Agora, Leonardo — o irmão do meio — tem sua chance.
Não apenas de escrever sua própria história nos Estados Unidos.
Mas também de reunir parte de sua família em solo americano.
Essa possibilidade pairou no ar durante todo o combine.
Ao final do terceiro dia, o desgaste estava visível por todos os lados.
Ombros deslocados e imobilizados com fita.
Pés apoiados em cadeiras dobráveis.
Mãos, tornozelos e pernas envoltos em bandagens esportivas.
Bolsas de gelo equilibradas sobre cotovelos entre uma montaria e outra.
Alguns ombros chegaram a sair parcialmente do lugar durante a semana antes de serem recolocados — e ninguém fez alarde sobre isso.
O combine havia cobrado seu preço.
Hematomas que se tornavam roxos profundos.
Dedos tão inchados que alguns competidores mal conseguiam fechar a mão.
Mesmo assim, eles voltavam aos bretes.
Porque aquilo era coisa séria.
Após as montarias da manhã de sábado, o grupo foi reduzido para 26 competidores.
Cada um deles escolhido pessoalmente pelos técnicos e general managers para retornar à arena naquela tarde e disputar o short round — uma última avaliação antes que os quadros do draft sejam definidos.
O sonho americano, de botas e esporas, estava em jogo para aqueles jovens.
Quando o último touro do fim de semana retornou aos bretes e a poeira finalmente baixou, nenhuma promessa foi feita.
Apenas 49 jovens que entregaram tudo de si durante três dias intensos, esperando que seu nome ecoe dentro de uma sala de draft neste verão.
A 9.770 quilômetros dali, um troféu espera em Las Vegas.
Mas antes que esse campeonato seja decidido, outro futuro será definido.
E em algum lugar do Brasil esta noite, um cowboy está colocando gelo no ombro, revivendo sua melhor montaria na mente.
Acreditando que da próxima vez que ouvir seu nome sendo chamado…
Não será em português.
Será depois de um longo voo.
E será na noite do Draft.
Resultados do último dia
26 competidores selecionados para a rodada final
Sábado, 21 de fevereiro de 2026 — Round 6
1. Eikson Pereira — 89,05
2. Carlos André de Oliveira — 84,30
3. Vitor Manoel Dias — 83,60
4. Abraão de Araujo — 80,50
5. Lucas de Camargos — 79,70
6. Phelipe Silveira — 75,50
7. Kayke Rodrigues — 68,70
8. Leonardo Zampollo — 66,40
9. Roque Palermo — 0
10. Rogério Venâncio — 0
11. Kayke Rodrigues — 0
12. Leonardo Zampollo — 0
13. Matheus Andrade da Silva — 0
14. Leonardo Zampollo — 0
15. Gustavo de Freitas — 0
16. Erick Nunes — 0
17. Jhon Carlos Moreira — 0
18. Ednelson Martins — 0
19. João Paulo Velasco — 0
20. Ronaldo Santos Jr. — 0
21. Rogério Venâncio — 0
22. Luiz Gabriel Rosa — 0
23. Roberto Carlos Vieira Junior — 0
24. Diego de Paula — 0
25. Kayke Rodrigues — 0
26. Kayke Rodrigues — 0